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TRAPO
Ao receber de uma estranha, chamada Izolda, o espólio
literário de um poeta marginal e suicida de 21 anos, o
sistemático e aposentado professor Manuel começa
um processo de mudança. A inesperada visitante quer convencê-lo
a transformar os escritos do jovem morto, Paulo, em livro. Relutando
em aceitar o pedido, que interromperá a sua rotina solitária,
Manuel acaba por sucumbir em "sair de si mesmo para o mundo
dos outros", passando a confrontar a sua personalidade conservadora
com o mundo do poeta. O contraste entre o mundo novo e a velha
rotina de vida é o elemento enfocado por Cristovão
Tezza em Trapo.
Trapo foi escrito em 1982, mas a ação se
passa em 1979, em Curitiba. Com a história do poeta curitibano
suicida (no qual o falecido Paulo Leminski se reconheceu), Tezza
mostra a revolta dos adolescentes da época contra o sistema,
seja familiar ou poético. Faz ainda um confronto entre
literatura, arte, poesia - de um lado - e negócio, posição
social, pragmatismo - do outro. Trata-se de um romance de tintas
naturalistas, construído no estilo rude e direto dos escritores
americanos da geração beat.
Trapo é o quinto livro de Cristovão Tezza
e o primeiro a merecer o reconhecimento nacional. O autor possui
grandes méritos literários, mas é neste texto
que demonstra sua agudeza e inteligência, com pleno domínio
de recursos expressivos, ao selecionar os dados essenciais de
sua criação e deles dispor a seu gosto. O texto
foi adaptado para o teatro e encenado em 1992, sob a direção
de Ariel Coelho e com Claudio Mamberti e Marcos Winter à
frente do elenco.
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